2017

General Arame

Quem é o General Arame da Venezuela?

É tal o ponto da turbulência política na Venezuela que até entre Brasileiros começou uma polarização.

Não é seguro tomar partido contra o Governo Maduro o chamando de ditador e muito menos comprar com tanta facilidade a narrativa da oposição. Bem como, defender a tese de que há um exagero na narrativa dominante está longe de ser uma defesa cega do Governo Maduro.

Um ponto a se ressaltar e creio que é um fato indubitável: militantes e população pró-governo, chavistas, revolucionários bolivarianos, ou como você quiser chamar… vão às ruas se manifestar de vermelho, a cor é praticamente um uniforme. Estamos de acordo?

Outro ponto, foi preso um general aposentado e opositor ao Governo carinhosamente apelidado General Arame, Angel Vivas. A oposição, logicamente, acusa prisão política. Este ex-general usou sua conta no Twitter para instruir manifestantes de oposição a instalar arame farpado entre postes nas ruas para decapitar motociclistas pró-governo.

Pois bem, alguns vídeos mostram manifestantes (que não estão de vermelho) colocando em prática a instrução de Angel Vivas:

Vídeo 1
Vídeo 2
Vídeo 3

Bom, poderia se afirmar que são manifestantes pró-Governo que estão colocando os arames. Isso justificaria a tese de “coletivos milicianos”. Mas não faz sentido por diversas razões:

1 – não são manifestantes vestindo vermelho. “Ah, mas isso não quer dizer nada!”. Verdade, mas pode ser pelo menos um primeiro indicativo;
2 – foi um líder oposicionista que deu a instrução e incitou seus próprios manifestantes a fazer isso;
3 – os noticiários correm para imediatamente responsabilizar a “repressão do Governo” ou “Coletivos Milicianos” por qualquer morte de manifestante (independente se pró ou contra Governo), ainda que depois se comprove que quem causou a morte foi justamente a oposição;
4 – não faz muito sentido ser um manifestante pró-governo e usar táticas criminosas ensinadas por um líder de oposição, visto que a priori a mídia hegemônica sempre responsabiliza a “repressão do Governo” ou “Coletivos Milicianos” contra os opositores.

Então, podemos concluir que os manifestantes pró-governo estão falhando miseravelmente se estão usando as táticas do Angel Vivas com a finalidade de culpar a oposição.

Mas, independente das razões acima, vamos supor, para fins retóricos, que o Governo e “Coletivos Milicianos” estejam de fato fazendo uso da prática incentivada pelo líder opositor. Isso não nos garante certeza para tomar alguma posição. O máximo que podemos concluir é que manifestantes de ambos os lados estão usando técnicas criminosas. Embora, como mostrado acima, só a oposição tenha declaradamente feito uso delas.

No mais, acredito que seja, no mínimo, saudável dar um passo atrás antes de tomar alguma posição. Ainda que se esteja diante dessa enorme turbulência política na Venezuela, Nicolás Maduro, concordemos ou não com seu governo, é o Presidente legitima e democraticamente eleito. Como também, não há indícios que não haverá eleições regulares para a presidência no ano que vem.

Portanto, tá liberado chamar Maduro de ditador, mas só depois que não tiver eleições regulares para a presidência em 2018.

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“We the people”

What do you know about We the people‘s poster?

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Everybody knows Banksy. Some people might never have heard of Banksy’s name, but they probably had already shared or liked one of his arts. I can go even further saying those people might not even know that art was a graffiti. Yes, a lot of people might have liked and shared Banksy’s arts thinking it was only a nice internet political drawing.girl-with-a-balloon-by-banksy

Do you remember seeing a beautiful drawing of a girl with a red heart-shaped balloon? You might have seen it on a tattoo, a lot of people have it. It is Banksy’s and it is a graffiti, not only a beautiful internet drawing.

You may think I’m about to say that Banksy is the artist behind We the People posters. No, he is not, but they might be related, though.

His name is Shepard Fairey, the artist of Barack Obama’s famous Hope poster and also a famous street artist known by his Obey Giant poster.

I didn’t remember who he was until just after the historic Women’s March here in Washington-DC, even though I knew him and his art for a long time. I just haven’t connected the dots.

I knew him from Banksy’s Exit through the gift shop documentary released back in 2010. Banksy’s movie is about himself, street art, activism and several other street artists (It’s a great movie about street art, you should watch it!!).

We the people was a crowdfunding campaign created by the Amplifier Foundation to print and distribute Shepard Fairey, Ernesto Yerena, and Jessica Sabogal’s images on a large scale for Trump’s Inauguration Day to “flood Washington, DC with NEW symbols of hope” against intolerance, fear, and hate. I didn’t go to the Inauguration, I went to Women’s March instead and it was filled with We the People posters everywhere.

I think art can wake people up because when an image resonates emotionally we want to get to the bottom of it. And art really helps people feel things that then they talk about.” (Shepard Fairey).

Something is crystal clear here: graffiti, or street art, is not vandalism. You could say “pichação” (which is not the same as graffiti) is vandalism. However we could debate on it since its in a grey blurred area between a simple act of vandalism and a cry for freedom of speech and manifestation.

So, the bottom line is: graffiti might be the most democratic way of raising awareness about social and political issues through art.

Graffiti might be seen as a defiance and a “rebellion against tyranny and oppression” according to the Preamble of Universal Declaration of Human Rights. Art and culture making its way to reach everybody, not only restricted to an elite in Museums or Art Galleries. It’s like Joshua Bell playing violin at L’Enfant Plaza Metro Station everyday, not only in a Concert Hall for U$ 100,00 a ticket.

Graffiti usually doesn’t ask for permission to express its freedom of speech, and, sometimes, it is used by street artists to questioning the oppressive establishment.

This is how deep the graffiti activism is as a Human Rights’ expression fighting for Human Rights.

Meanwhile, the recently elected São Paulo City mayor, João Dória, declared war on graffiti and painted grey, among other street arts, the largest graffiti wall in Latin America – like the world’s 3rd largest city doesn’t have more urgent issues to be addressed.

He’s done the same as Kassab did (São Paulo City mayor before Fernando Haddad’s mayorship). The Grey City, another great documentary, shows Kassab’s lost war on graffiti. You should watch it also!

Thus, in less than a week Dória already lost this war and was forced to change his mind. São Paulo City Hall will pay street artists to repaint the city. Dória spent tax payers’ money to paint a colorful city grey, and now is going to spend more money to paint a grey city colorful again.

History indeed repeats itself.

It seems there is an in between the lines hidden message here: color means diversity, plurality, tolerance, empathy, more Human Rights.

Think about it!

Concurseiros, ô racinha!

“O concursado não quer trabalhar e reclama dos políticos que fazem a mesma coisa.” 
“A diferença entre o concurseiro e um político corrupto tende a zero. Muitos dos concurseiros ganham muito sem fazer nada, afinal, ou trabalham mal ou nem vão trabalhar.”

Estou lendo Armas, Germes e Aço do Jared Diamond e a explicação dele para a transição (ou não) entre catadores-caçadores para agricultores é muito simples e inteligente: nós seres humanos vamos escolher aquela atividade que tem mais eficiência energética, ou seja, vamos sempre optar pelo menor esforço e melhor recompensa.

Não é o concurseiro que é preguiçoso e quer trabalhar menos, o ser humano quer trabalhar menos. Tanto é que inventamos ferramentas das mais variadas para facilitar nosso trabalho, não é mesmo?

Então, que tal pararmos com esse estigmatização? Isso é muito demodê… é tão lógica protestante do destino manifesto weberiano.

Somos melhores que isso, gente!

O ser humano nasceu para comer e ficar a toa, a gente inventa coisas pra fazer porque simplesmente não consegue ficar sem fazer nada.

“Vamos deixar claro que “concurseiro” exclui professores, policiais, bombeiros e alguns outros.”
“Eu acho que professor é um ponto fora da curva nesse caso. Eles em geral amam o que fazem e trabalham muito, os vagabundos são a minoria (mas existem).”

Por que diabos temos que eleger grupos que são imunes a essa regra como se fossem seres iluminados, aqueles que são os ultra trabalhadores e cuja função é hiper importante??

É nessa linha de raciocínio que o Judiciário e Ministério Público acham que trabalham mais que todo o resto, são indispensáveis e por isso podem inventar diversos auxílios penduricalhos para driblar o teto constitucional de remuneração. Mais de 98% dos juízes e promotores do Estado do Rio ganham acima do teto, por exemplo.

“Se você trabalhar muito, sempre vão te passar mais serviço! Não pode trabalhar muito não.”

Outro ponto imporante: próposito e motivação.

As pessoas precisam e querem ver propósito naquilo que estão trabalhando. O sujeito ver que seu trabalho está rendendo frutos, que ele está sendo produtivo faz dele um trabalhador motivado, dedicado, muito embora ele exerça uma função laboral que não tem nada a ver com aquilo que gosta de fazer ou tem vocação. Então, o sujeito vai cumprir com o trabalho que tiver pra fazer se ele ver propósito naquilo, não tem esse papo furado de “não pode trabalhar muito, senão vão te passar mais serviço”, ou você acredita nisso por que agiria dessa maneira?

O que mais desmotiva o trabalhador (público ou privado) é o retrabalho. É extremamente frustrante perceber que seu trabalho não produz resultado, que está ali enxugando gelo e tem sempre que fazer a mesma coisa sabendo (e propondo) que se a admistração superior fizesse diferente produziria algum resultado mais eficaz e eficiente.

O que nos leva à seguinte pergunta:

“Se um servidor que deveria trabalhar 40 horas/semana, mas está produzindo apenas 4 horas por dia 3 vezes na semana, o que está errado? Existe demanda para esse servidor e elas apenas não são repassadas, o preenchimento da vacância não se justifica pela falta de dmeanda, ou tem alguma outra explicação?”

Raras são as pessoas que trabalham, no sentido de efetivamente produzir, 8h/dia (40h/semana). Lógico que existem aquelas pessoas workaholic. Minha ex-chefe na Defensoria Pública do Rio (DPGE-RJ) é uma dessas, trabalha de sol a sol feliz da vida, ama o que faz e é um exemplo de Defensora.

No entanto, exemplos como ela não podem ser parâmetro para traçar a regra. Ela e outros como ela são admiráveis exceções.

Ter que estar 40h disponível para o trabalho não faz sentido (salvo os casos em que a finalidade do trabalho é a disponibilidade para a função: médico, enfermeira, bombeiro, policial e demais plantonistas), já que ninguém produz efetivamente as 8h/dia (salvo poucas exceções, lógico!).

Pensa em alguma atividade que você tem prazer em fazer: jogar video game, por exemplo. Você suportaria jogar videogame 40h/semana? Duvido!

Na DPGE-RJ, por exemplo, sei que tem uma grande parcela dos servidores que trabalha até 5h/dia e revezam 1 sexta-feira no mês, ou, melhor ainda, trabalham apenas 5h/dia 4 dias por semana.

“Viu!?!? Olha que vagabundos!!! É disso que a gente tá falando!!!”

Calma lá! Desde que entrei na DPGE-RJ tive o “azar” de fazer parte da parcela que trabalha 40h e não acho que meus colegas estejam errados. Se é que tem alguma coisa errada é o sistema. Então temos alguns pontos a serem considerados.

Primeiro, servidor concursado nível médio ou superior da DPGE-RJ são os que têm a menor remuneração entre as funções equivalentes no Ministério Público e Tribunal de Justiça Federal e Estadual. Para vocês terem ideia, um servidor nível médio do MP ganha cerca de 50% a mais que um servidor nível superior da DPGE-RJ.

Segundo, a DPGE-RJ tem mais Defensores Públicos do que servidores concursados numa razão de mais ou menos 2 pra 1. Isso mesmo, a razão é iversa.

Terceiro, eu poderia filosofar aqui sobre a interminável demanda da DPGE, vou apenas tentar ser objetivo num bagulho que já virou textão. Os servidores que trabalham no atendimento ao público não podem atender toda a demanda, simples assim. Eles trabalham “menos” porque trabalham frenéticamente o período que estão à disposição da DPGE, e isso tem uma explicação. Se os servidores ficassem 8h/dia atendendo assistido e recebendo todas as demandas de litígios que chegam na DPGE, os Defensores não dariam conta. Afinal, os Defensores têm que fazer diariamente dezenas ou até centenas de petições iniciais dos mais variados temas. Isso sem contar nas inúmeras audiências que têm que ir, o follow-up nos processos existentes, atender assistidos para resolver problemas de ações emergenciais ou sanar problemas de seus processos como dúvidas, documentações, etc. Assim sendo, essa é a solução encontrada para dar conta da carga de trabalho com alguma qualidade.

Quarto, como eu disse, o sistema é falho e engessado e isso contribui para a desmotivação e percepção de falta de propósito. Vou ilustrar. Na Administração Pública brasileira não existe a possibilidade de um servidor migrar de cargos que não seja por meio de outro concurso público, ou seja, não existe possibilidade de movimentação horizontal (cargos equivalentes em diferentes órgãos e poderes do mesmo ente federativo) ou vertical (ascenção para cargos superiores dentro do mesmo órgão). Passou num concurso para Técnico Administrativo? Você tem que fazer um novo concurso para virar Analista do mesmo órgão! Quais os reflexos disso?

1) pouco importa continuar no mesmo órgão ou ir para outro completamente diferente se o sujeito quiser ascender na carreira (ganhar mais), afinal, terá que prestar um novo concurso como qualquer outro cidadão. Falta comunicação e aproveitamento do servidor efetivo dentro da Administração Pública. Se o indivíduo não vê propósito e perspectiva futura na sua função, então como ele vai ter motivação para se dedicar ao órgão?

2) assim, o sujeito pode começar a negligenciar sua função e dedicar seu tempo/dinheiro (gasto imbecil de recursos tanto do indivíduo quanto do Estado) para ir para qualquer outro cargo com melhor remuneração, nisso toda sua experiência adquirida e o conhecimento da dinâmica do órgão se perdem. De que adianta mover rios de $, fazer concurso, aprovar, nomear, treinar, se em pouco tempo aquele servidor vai se livrar da função para subir mais um degrau na escada de concursos?;

3) nisso, servidores que estão há anos num órgão ficam reféns de superiores concursados que muitas das vezes nunca exerceram funções inferiores ou, se o fizeram, não sabem nada da dinâmica do trabalho daquele órgão específico. Mas não importa, são chefes e são eles que mandam. Mais um fator desmotivador. Exemplos:

Concurso para Delegado é um ótimo exemplo, o único requisito é ser bacharel em Direito. Um recém formado e aprovado num concurso já entra na Polícia (Civil ou Federal) chefiando agentes com 10, 15, 20 anos de carreira. Apenas faculdade de direito não garante em nada que o aprovado em concurso tenha capacidade para presidir uma investigação. Por exemplo, a PEC 51, que além de acabar com a PM, pretende criar carreira única na polícia foi muito mal recebida pelos… Delegados.

Concursos para Juiz ou MP precisa de 3 anos de experiência jurídica para ser nomeado, qual o resultado disso? A gente encontra bastante bacharel em Direito driblando o sistema e cumprindo este requisito pro forma: a família banca o indivíduo (casa, mesada, cursinho, etc…) para ele se dedicar exclusivamente a estudar os 3 anos (ou mais). Enquanto isso ele apenas assina petições no escritório de advocacia da família para comprovar a experiência jurídica. Pronto, assim temos que 77% do MP é branco e 70% homem – lógico que nem todos têm esse privilégio e eu tenho inúmeros colegas da FND que ralaram muito para associar trabalho e estudo e agora estão em excelentes cargos.

E assim o sistema segue viciado…

Então o que precisa ser feito? Essa é uma resposta complexa demais e entra na parte da filosofada que eu disse acima. Não vale a pena neste momento, o texto já tá enorme.

Já vi inúmeras propostas sugerindo ponto eletrônico, como se ficar disponível 8h/dia fosse o mesmo que produzir 8h/dia. Quanta ilusão!

Ponto-eletrônico é igual a pagar pela ineficiência. Dele derivam pelo menos 2 medidas, uma delas o comando constitucional que é o adicional de hora-extra no valor de 50% a mais na remuneração da hora trabalhada (art. 7º, XVI), a outra é o banco de horas.

No banco de horas, o indivíduo fica o dia inteiro enrolando o que deveria fazer e faz na sua hora-extra quase tudo o que deveria ter feito no dia. Assim ele vai acumulando horas no seu banco de horas e as troca por abonos ou por $. Ou seja, o sujeito é pago para não trabalhar no seu horário regular e ainda é beneficiado com abonos ou 1,5x$ por hora-extra trabalhada. (Não estou inventando isso, tanto já li a respeito em estudos quanto já vi acontecer em locais que trabalhei)

Tudo isso deriva dessa lógica de que nós temos que trabalhar 8h/dia. Não seria tão mais produtivo, mais qualidade de vida, mais motivação se o trabalhador tivesse que trabalhar /produzir pelo menos entre 4 a 6h/dia e ter o resto do dia livre para fazer qualquer outra atividade?

Concurseiro é malandro mesmo; ele quer qualquer cargo por dinheiro sem risco de demissão.
Não generalizo, mas muitos vão trabalhar no que não gostam ou não tem nenhuma afinidade só para ter a dita estabilidade e grana. É a mentalidade de quem faz o concurso.
Sou a favor de acabarem com a estabilidade de cargos públicos. Pessoas quase blindadas por não poderem ser mandadas embora. 

Existe um porquê para a estabilidade e me admira muito a galera reclamar de políticos como seres inerentemente corruptos ao mesmo passo que querem o fim da estabilidade dos servidores públicos.

Estabilidade é tanto para o servidor quanto para a função, o serviço público. É um mecanismo para blindar a máquina pública dos humores políticos. Assim, servidor público não fica refém do poder político dominante no momento, ele deve obediência ao Princípio da Legalidade e não ao Princípio do Partido Político do momento.

Não existir estabilidade é uma ameaça aos princípios da administração pública do art. 37 da Constituição. Afinal, para poder proteger o seu emprego o servidor vai obedecer a qualquer ordem do seu chefe, mesmo que ela seja ilegal ou até corrupta. Ele tendo estabilidade isso não acontece.

Imagina o Temer de uma hora para a outra exonerando todos os servidores públicos federais que foram contra o impeachment? Livre nomeação e exoneração é igual dizer: “você está neste cargo para fazer o que eu mando“. Não é a toa que Temer prometeu enxugar o número de servidores de livre nomeação, mas fez exatamente o oposto, criou mais 1000 novos cargos.

“Mas então, por que é tão difícil demitir servidor ineficiente ou que faz merda se existe a porra do respaldo legal pra isso?”

Novaente, a resposta complexa, mas ao invés de filosofar vai uma resposta curta. A sociedade é muito complexa e plural, o lado bom é que o serviço público é um círculo virtuoso, ainda que ainda cheio de falhas. As regras existem, basta começarmos a adquirir a cultura de melhorar sua aplicação ou criar melhores mecanismos para aplicá-las – temos menos de 30 anos de uma suposta estabilidade democrática, lembrem-se disso! O primeiro concurso para servidores efetivos da DPGE-RJ, por exemplo, foi em 2010. E a DPGE-RJ é a Defensoria mais antiga do Brasil. Até recentemente Santa Catarina nem tinha Defensoria Pública, ela foi criada em 2012!!!

O serviço público é uma zona e super inflado.” 

Malandro quer educação, saúde, transporte, previdência, segurança e acha que o serviço público é inflado. Não dá para querer um Estado de Bem Estar Social e adotar discurso de Estado Mínimo, né gente?!?

Primeira coisa a se fazer é parar de ecoar mitos liberalóides.

Brasil tá muito longe de ter um serviço público inflado. Brasil é um verdadeiro paradoxo, afinal, oferece serviços universais (ainda que por vezes precários) de Estado de Bem Estar Social tendo uma estrutura administrativa que mais parece Estado Mínimo.

Já li em diversos lugares que o ideal para um país é ter entre 20-25% de servidores públicos do total da sua força de trabalho. A média dos países estudados pela OECD (ou OCDE em português) e OIT é cerca de 20%. Dinamarca, Noruega, Suécia são alguns exemplos de países acima dos 25%. O Brasil? Tem só entre 11-12%.

Então como resolver o problema?

Não sei exatamente, ele é muito complexo. Uma coisa podemos ter certeza, nosso sistema de concurso público fomenta o que tem de pior e não seleciona os melhores, mais vocacionados e motivados para os cargos (FGV e UFF já chegaram a essa mesma conclusão). Na maioria das vezes selecionam apenas aqueles que tiveram paciência, tempo e dinheiro para se dedicar à vida de concurseiro. Acho a proposta da FGV/UFF um bom ponto de partida, mas diversas outras coisas precisam mudar junto uma delas é parar de ecoar mitos.

P.s.: a maioria dos meus amigos é servidor público. A maioria deles muito dedicado. Boa parte sequer atua na sua área de formação. Tem aqueles que estão no serviço público para ganhar bem e assistir Netflix o dia inteiro no seu curralzinho enquanto cumpre seu horário? Tem! A culpa é dele por estar nessa mamata e ele estar se “beneficiando” disso? Certamente não, o problema é o sistema. Muito provavelmente ele preferiria ser produtivo 4 a 6h/dia (tendo demanda efetivamente) e ter o resto do dia livre ao invés de ter que cumprir 8h assistindo Netflix. Mas enfim…

Moral Compass

Everyone has their own moral standards, which might be compatible and incompatible to several other people. Different moral compass might enter into conflict, and they certainly will. What should we do about it?

If everyone has its own personal moral standards, which one is the right among over 7 billion? And why some people do want to impose their moral standards on others? 

Shocking events like shootings, bombings, terrorism, massacres are so common and widespread they don’t stun us anymore. They became only numbers, not terrifying facts that shouldn’t even exist.

Brazil had a shooting incident in Campinas-SP, where a man killed his ex-wife, child and other 10 people, 9 of them women, before killing himself in a New Year’s Party on January 1st, 2017.

The shooter said terrible nonsenses in his suicidal note. Things like: “inmates have 3 meals a day, sunbath, income, don’t wake up early for work, Human Rights representatives kissing their asses, while I spend 5 months of my income in taxes to fund it”, said that feminists are sluts and he hates them, that Brazilian Law “Maria da Penha” against Domestic Violence is the Law Slut of Penha and kept repeating things filled with hate and anger towards: criminals (he most likely agree with the phrase “good criminal is a dead criminal” like other 40% of Brazilians declared in a poll), politicians, and mostly against women (he said he would kill as much women as possible at the party shooting, a crystal clear feminicide).

What a start for a new year, right?!

The last couple of years were no different.

There was this white supremacist, Dylann Roof, who killed several black people in a Charleston’s Church. Recently in his court trial hearing, he said that he doesn’t regret what he did, that he’s not mentally ill, and that he feels sorry for “the innocent white people that are killed daily at the hands of the lower race“.

The Orlando Pulse Nightclub, in June 2016, had almost 50 people killed. All signs points to a massive hate crime and violence against LGBT people, and since the killer died we’ll never know his true motives for sure.

This reactionary and conservative moral compass based on fear, anger and hate fuels an engine that leads to a vicious spiral of violence against an “enemy”, whatever it might be  – communists? muslims? african-descendants? women? LGBTs? terrorists? refugees? …

Once inside this spiral driven by a sick moral compass the individual can barely withstand his own existence in some cases, so he ends up killing himself after his killing spree. I guess this ends on the individual not fitting in his own moral standards.

Here is a wise quote from Master Yoda:

Fear is the path to the dark side. Fear leads to anger. Anger leads to hate. Hate leads to suffering.

According to Oxford Dictionary, the 2016’s word of the year was “post-truth“:

relating to or denoting circumstances in which objective facts are less influential in shaping public opinion than appeals to emotion and personal belief.”

A narrative appealing to emotions like resentment, fear, hate and anger can drive some people to all those extreme situations. This same problem can be seen in an even broader spectrum, of groups or large-scale democratic political decisions based on narratives that encourage such emotions.

For example, 2017 did not complete its first week yet and Brazil has already had two major prison rebellions resulting in, at least, 80 inmates dead, 50 in Manaus-AM, and 30 more in Boa Vista-RR. It’s worth saying that over 40% of the Brazilian prison population is made of inmates that are still in pretrial detention, they were not convicted yet – and Alexandre de Moraes, Brazilian Ministry of Justice wants to eradicate marijuana from South America. War on drugs worked like a charm in USA, just ask its more than 2 million inmates!

Beyond all this terrible news, it is astonishing to see some reactions after those sad incidents. Brazilian illegitimate President Michel Temer said Manaus-AM was merely “an accident“, AM Governor said “There were no saints!“, Temer’s Government National Secretary of Youth said “There aren’t enough of them. There should be a massacre a week!“, to the point where a Congressman tweeted something like “Manaus 50 vs 30 Boa Vista! Let’s go, Bangu (Rio de Janeiro Prison)! You can do better!!“;… and a lot of others not worth mentioning. 

The whole point is: the world is walking on a path based on the post-truth era of resentment, intolerance, fear, hate, and anger. The moral compass mostly based on those emotions is what drove us to Brexit, to Colombia voting NO, to Trump election, the recent Brazilian Coup d’Etat, and it is also what drives lone wolves to such mad shootings like Orlando Nightclub; Charleston’s Church; Campinas-SP, Brazil; and so on…

Like actress Maryl Streep said at her 2017 Golden Globe Awards’ speech:

And this instinct to humiliate, when it’s modeled by someone in the public platform, by someone powerful, it filters down into everybody’s life, because it kind of gives permission for other people to do the same thing. Disrespect invites disrespect. Violence incites violence. When the powerful use their position to bully others, we all lose.

All that hate that Campinas’s shooter wrote on his suicidal note is exactly the same thing we see reactionary conservative people writing every day on social media.

So I can say this moral compass’ north points to all kinds of violence, more and more. If we follow this path along with austerity, growing inequality, reducing Welfare State and Labor Rights, fighting the refugees, a system of mass incarceration, repealing Obamacare, ending Social Public Policies and supporting a narrative which appeals to emotion and personal belief (moral compass), we’ll be feeding an exclusivist and extractive society. Certainly a dark future! More inequality = More incarceration!

Are we heading towards a ‘post human rights world‘? I hope not!

The world already has a good north we can use for our individual moral compass, it is one on which all the human kind agreed upon, the Universal Declaration of Human Rights or several nation’s fundamental rights and guarantees written down in almost all Western Civilization’s Constitutions.  

Therefore, we must set up a new kind of engine not fuelled by fear and hate of imposing our own individual moral standards over other people or the society, but fuelled by embracing solidarity and genuine empathy. An engine to move the world towards peace, more tolerance, freedom, dignity, inclusion, equality, prosperity and the pursue of happiness.

Maybe we were supposed to be living in the “Common Man” era if Henry A. Wallace had not suffered a coup inside the Democratic Party, like Bernie Sanders, and had become once again Franklyn D. Roosevelt’s running mate instead of Truman. According to Oliver Stone’s Untold History of the United States, the atomic bombs might never have been dropped, and the Civil Rights Movement might never have been needed to exist. 

But people like Henry A. Wallace, Bernie Sanders, and leaders like them are often pejoratively called naive. Actually, it’s the opposite, they are the ones that have enough courage to stand up for humane causes, for peace, not war, for equality and against the financial power.

A naive person said once:

You may say I am a dreamer
But I am not the only one!” (John Lennon)

I guess I am a naive dreamer too!